Por mais que eu não conseguisse entrar em acordo com meus sentimentos, naquele dia estava tudo mais confuso, não exatamente com o meu coração, mas em saber que há tantos outros por aí precisando de ajuda. O quarto estava frio, mas a janela estava fechada, quando ouço um barulho que logo vem a se manifestar. Não sei de onde via, e se realmente era real, mas minha única alternativa foi me entregar, estava tão desanimada que não conseguia se quer pensar se era perigoso ou não. Foi ai que a voz me disse mais forte, uma voz masculina, então sentei na beirada da cama para ouvir.
- Não consigo entender o quão vazia de sentimentos as pessoas são, e sempre colocam a culpa na correria do dia-dia, não que não seja, mas é estranho não é? Se essa vida cheia de problemas e coisas para se resolver é ruim, deveriam no minimo dedicar um pouco do tempo para viver momentos de felicidade, usar um pouco mais dos sentimentos e fazer um bem para si mesmo e os outros ao redor. - Disse, enquanto um sopro veio há minha face.
- Sei que estás certo e concordo, mas um dia posso estar assim também, por isso sem querer sair do seu assunto, tão superficialmente sabemos da vida dos outros e o fato de serem vazias assim provavelmente é resultado de algo que já passaram na vida, ou de algo que esperam e não acontece, por isso acabam se fechando e desistindo, não é todos que possui sempre um equilíbrio, a fraqueza é grande responsável por isso. - Poderia ter perguntado quem era e o que queria, mas apenas respondi, era o que meu coração queria.
- Exatamente a este ponto que queria chegar. Não há teorias que explique unicamente um caso, irão sempre surgir várias hipóteses e cada situação tem a sua causa e desfecho. Mas como poderemos ajudar a todos de uma vez, se fica difícil saber exatamente o que se passa com cada um? Não tem como, temos que achar uma maneira de escrever em uma forma geral, assim cada um que ler pode adaptar a sua história e achar a solução. - Quando acabará de dizer isso pensei um pouco pra responder, estava tão confusa, mas queria ir afundo com essa conversa.
- Desculpa, mas primeiro gostaria de saber uma coisa, como assim escrever? escrever o que e para quem ler? - Era só isso o que queria saber, encostei na parede ansiosa.
- Escrever, isso mesmo, se quer ajudar as pessoas comece escrevendo, coloque as palavras como a chave de todos os problemas, quem quer ser ajudado basta decifra-las, não é fácil, e como disse no começo de tudo, basta que elas usem os sentimentos, o tempo pode ser curto, mas ler um texto não leva nem uma hora do dia, e milhares de emoções são sentidas. - Foi então que milhares de idéias vieram a minha mente, tudo estava tão claro, soltei um sorriso que preencheu o vazio daquele quarto.
- Não sei quem é, mas sei que me ajudou muito, me trouxe uma paz e uma inspiração para que eu possa transmiti-la, ou tentar. Me sentirei bem melhor e esperançosa de que um dia algo que vier de mim toque no coração de alguém, tudo o que mais quero e sempre quis foi isso, fazer com que palavras levem mensagens e sentimentos. Sei que talvez posso não conseguir, mas me fará um bem enorme de saber que tentei e fiz o que estava ao meu alcance. De verdade só tenho a te agradecer, pode voltar sempre, estarei disposta a te ouvir e há ouvir quem mais quiser. - Estava olhando para o teto, não sabia de que direção vinha, mas naquela hora isso não tinha importância.
Deitei na cama esperando que tivesse alguma resposta, mas não, minutos se passaram e apenas ouvia o barulho dos cachorros a latir lá fora. Levantei da cama e abri a janela com uma esperança louca de que alguém estivesse lá, um vento forte segui em direção a algumas estrelas no céu, não precisava de mais nada, sei que aquela mensagem veio além do conhecimento humano.
Peguei o notebook e sentei novamente na cama, precisava urgentemente por em prática o que aquela noite me proporcionou, aquela minha tristeza e desânimo tinha sumido rapidamente. Então conectei em minha conta do blog e meus dedos se puseram a tocar no teclado.
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"Por mais que eu não conseguisse entrar em acordo com meus sentimentos, naquele dia estava tudo mais confuso, não exatamente com o meu coração, mas em saber que há tantos outros por aí precisando de ajuda. O quarto estava frio, mas a janela estava fechada, quando ouço um barulho que logo vem a se manifestar...."